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Rum vs Cachaça: quais são as diferenças?

19 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 19 de ago.

Cachaça e rum nascem da mesma matéria-prima, a cana-de-açúcar, mas são bebidas bem diferentes. Entender essas diferenças ajuda a apreciar ainda mais o que torna a cachaça brasileira única.

Cachaça é exclusivamente brasileira

O nome 'cachaça' é protegido por lei e sua produção é restrita ao Brasil. Segundo o Decreto federal 6.871/2009, a cachaça é definida como a aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica entre 38% e 48% em volume, obtida pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana, com características sensoriais próprias.

Já o rum pode ser produzido em qualquer lugar do mundo, sendo mais associado ao Caribe.

A diferença está na matéria-prima do destilado

A principal diferença de processo entre os dois está aqui: o rum tradicionalmente é feito a partir do melaço, um subproduto da produção de açúcar. Já a cachaça, historicamente, é feita a partir do caldo de cana fresco, a garapa.

Essa diferença altera a composição química da bebida: ao cozinhar o caldo de cana para extrair o açúcar (processo do melaço), compostos como ésteres e aldeídos se transformam, resultando em um perfil de sabor diferente do da cachaça, feita direto do suco fresco.

Existe uma exceção interessante: o Rhum Agricole, produzido em ilhas caribenhas de colonização francesa como Martinica e Guadalupe, também usa caldo de cana fresco, mas ainda assim se diferencia da cachaça pelo teor alcoólico (que pode chegar a 70%) e pelos métodos de destilação.

Faixas de graduação alcoólica diferentes

Enquanto a legislação brasileira limita a cachaça entre 38% e 48% de teor alcoólico, o rum tem uma faixa bem mais ampla: o mesmo Decreto 6.871/2009 define o rum como a bebida com graduação entre 35% e 54%, podendo ser envelhecida total ou parcialmente em barris de carvalho ou madeira equivalente. Em outros países, esses limites variam.

O grande diferencial brasileiro: a variedade de madeiras

Cachaça Don Fernandes envelhecida em barril de carvalho

Tanto cachaça quanto rum têm versões que não passam por madeira (as 'brancas') e versões envelhecidas em barris. Mas aqui está um dos grandes trunfos da cachaça: enquanto o rum costuma envelhecer quase exclusivamente em carvalho, o Brasil conta com uma imensa variedade de madeiras nativas para esse processo: amburana, jequitibá, ipê, bálsamo, entre outras.

Cada madeira confere cor, aroma e sabor próprios, o que abre um leque enorme de possibilidades de harmonização entre a cachaça e a culinária brasileira. É exatamente essa diversidade que exploramos aqui na Don Fernandes, trabalhando tanto o carvalho quanto a amburana.

Uma história de origens cruzadas

A cachaça é um dos destilados mais antigos das Américas, com registros de produção rudimentar no litoral brasileiro já entre 1516 e 1532, anterior ao pisco, à tequila, ao mezcal, ao rum e ao bourbon. Já o rum surgiu no início do século XVII nas colônias britânicas do Caribe, como subproduto da indústria açucareira.

Curiosamente, as histórias das duas bebidas se cruzam em solo brasileiro: há indícios de que colonizadores holandeses produziram um destilado de cana no Brasil por um processo parecido com o do rum. Com a expulsão dos holandeses de Recife pelos portugueses no século XVII, eles levaram mudas de cana e equipamentos de destilação para o Caribe, o que pode ajudar a explicar por que o rum acabou se tornando mais conhecido mundialmente do que a cachaça brasileira.

No fim das contas, cachaça e rum são primos com histórias entrelaçadas, mas personalidades bem distintas, e é essa identidade única, construída sobre séculos de tradição e a riqueza das madeiras brasileiras, que torna a cachaça um destilado tão especial.

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